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Crónica do Director
Sol ou haxixe na praia?
Chegou o Verão e com ele veio o calor a convidar a irmos a banhos. Os Açores, pelas características de todas as suas ilhas, dispõem de excelentes estâncias balneares, com praias e piscinas naturais para todos os gostos e idades, bem como, em diversos concelhos, infra-estruturas criadas de raiz que não ficam atrás de muitas que se encontram por esta Europa fora.
Perante isto, pensar-se-á que estão reunidas as condições ideais para que se possa ir a banhos de forma tranquila, gozando aquilo que de melhor a época estival tem para oferecer. E estão, não fossem algumas situações pouco agradáveis.
No entanto, um fenómeno recente – se não é, pelo menos aos meus olhos é uma novidade completa – actualmente, uma ida à praia pode transformar-se numa aventura pelo submundo da pequena criminalidade. Falo-vos, caros leitores, do consumo de estupefacientes.
Em boa verdade, poder-me-ão dizer que o consumo de droga não encerra, só por si, qualquer acto ilícito. A resposta é: claro, até porque as próprias autoridades permitem tal prática, desde que nas quantidades determinadas pela lei.
Todavia, a barreira entre a legalidade e a ilegalidade a este nível é muito ténue, ou melhor dizendo, trata-se de saber quantos “charros” são fumados por um determinado jovem, que quantidade de haxixe carrega cada um deles, entre outros aspectos e factores. Porém, a verdade é que tudo isto se torna “fait divers” perante um determinado cenário.
Imagine-se na praia das Milícias, em Ponta Delgada, acompanhado pelo seu filho de dez anos.
Pouco passa das 15h00 – hora ideal para chegar à praia, principalmente quando se está acompanhado por crianças – quando estendemos as nossas toalhas no amplo e bonito areal.
Cerca de cinco minutos depois, vejo aproximarem-se cinco jovens que, a menos de um metro, estendem também eles as suas toalhas. Antes mesmo de tirarem as camisolas, começa o bulício. Num ápice, um vira-se para os outros e diz: “então, vamos lá matar aquilo?”
Curioso, olho para ver do que se trata. Rapidamente, começa um cheiro insuportável a haxixe e vejo que o “charro” roda de mão em mão, como se tratasse de um simples cigarro.
Mas, caros leitores não é, e a verdade é que não tenho de ser obrigado a levar com aquilo quando só tentei ir refrescar-me a uma praia micaelense.
A partir deste momento, começa o disparate. Sob o efeito da dita “droga”, os jovens começam a usar do calão, iniciam-se as provocações às “meninas” que por eles passam e até a areia começa a servir de arma para brincadeiras que, como digo usualmente, têm tanto de piada como de estúpidas.
Obviamente, aquela que podia, e devia, ser uma tarde bem passada, transforma-se num momento de clara irritação e inquietação. Perdoem-me, mas estou acompanhado pelo meu filho de dez anos!
Pela cabeça passa-me a hipótese de confrontar os jovens com tais práticas, principalmente num local público. Contudo, antes que o possa fazer, chega mais um jovem. Antes do inevitável boa tarde, os amigos perguntam: “então, trouxeste aquilo?” Aquilo o quê, questionam-me. A resposta sai rápida: “mais um charrito!”.
E pronto, caros leitores, em menos de 30 minutos já eles tinham fumado dois, tudo em frente a todos e como nada se passasse.
Perdi a paciência. Levantei-me e… vim-me embora. Agarrei no meu filho e sai da praia antes de me chatear.
Vim embora a pensar: onde andam as autoridades? Então os nadadores salvadores andam por ali a “chatear” as crianças por estarem a jogar à bola junto à água e nada dizem e fazem contra tais práticas?
Enfim, provavelmente tudo está bem e eu é que estarei mal. Mas, perdoem-me, penso que não sou obrigado a levar com o “fumo” dos outros, principalmente, num local público. Então se até o tabaco já foi proibido em alguns espaços, a droga pode ser fumada à vista de todos numa simples praia?
Não compreendo, nunca compreenderei e denunciarei sempre que possível, nem que seja num simples texto de opinião!
Até para a semana, certamente, em outra praia ou piscina.
2012-07-04 06:00:00















