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Opinião
Pensamento criativo
Quando se pensa em “criatividade” está-se (geralmente) a imaginar formas mais actuais de integração numa mesma realidade. Mas a autêntica criatividade é a que, desassombradamente, acomete novos paradigmas, novas visões e leituras do mundo.
Para esse pensamento nem sempre há abertura, mesmo porque ele exige muito trabalho de acomodação (até de neurónios a novas estruturas de recepção da novidade). Mas não há outra saída para a condição humana. Chegada ao fim da sua capacidade de entender o mundo onde foi “instalada”, resta-lhe agora despir a velha pele e partir para uma outra realidade, para a aquisição de novas ferramentas de percepção.
Poucas são as possibilidades de êxito com os instrumentos (quer intelectuais, psíquicos, ou neuronais) que desenvolveu e que, presentemente, são apenas entraves. Serviram quando saiu do mundo animal para a condição humana. Agora, que o espaço é a sua recente pátria, toda uma nova parafernália terá de ser criada. Portanto, será no pensamento criativo que irá investir num futuro já próximo, pois só ele o vai preparar para as novas situações com que terá que lidar.
A mudança já começou há muito, mas ainda não está visível, embora os seus sintomas avultem um pouco por todo o lado. Como o desajuste das apreciações em relação à leitura da realidade se torna cada vez mais gritante, não será difícil, em breve, perceber a necessidade de abandonar o velho paradigma racionalista.
Resta dar o salto. A ruptura, no entanto, vai ser dolorosa. São partes físicas do corpo humano (estruturas neuronais, por exemplo) que vão ser, pouco a pouco abandonadas, para dar lugar a outras que irão sendo criadas pela repetição dos processos, como se se tratasse de crianças recém nascidas. Para quando o novo pensamento?
2012-08-10 08:00:00















