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Opinião
Acerca (da suspensão) do tempo
Alguma vez pensaram que gostariam de fazer parar o tempo? Não me refiro àqueles momentos de felicidade intensa que por vezes experimentamos e queríamos que jamais terminassem. Então o desejo de suspensão incide sobre o sentimento que vivemos e que gostaríamos de prolongar infinitamente paralisando um acontecimento. Refiro-me antes à suspensão de uma época da humanidade e de uma etapa de vida da pessoa.
Reconheço ser bizarro, mas também a relação do Homem com o tempo sempre foi complexa, de tal modo que este constitui um tema constante na história do pensamento. A filosofia tem-no pensado em termos colectivos e designa-o por historicidade – o tempo histórico que condiciona as sociedades e os homens –, e em termos individuais e designa-o por existência – o tempo de cada um, da pessoa. Neste último plano sabemos por experiência quotidiana que o tempo vivido, psicológico, é diferente do tempo físico, mensurável: este é inalterável no seu ritmo implacável, aquele variável conforme o sentimento do momento. A ambição de fazer parar o tempo reporta-se ao tempo físico, no desejo que o vivido perdure.
Perguntaram-me recentemente por que alguém desejaria tal absurdo?! Creio que quando descobrimos as infinitas possibilidades do nosso ser em cada uma das suas fases de desenvolvimento as queremos realizar antes do tempo passar... É uma radical desproporção entre o que sou e o que posso ser que me faz querer que o tempo pare, para que eu seja mais plenamente.
E, todavia, o jogo da vida é ter os dias contados... e a sabedoria é ser maximamente em cada um dos seus fugazes instantes
2008-05-23 04:04:00












