Publicidade
Pedro Botelho
Crónica do Director Será isto futebol?
Opinioes
Mais Opinões
Publicidade
Empresas Comunidade soliária
Portais Universos Blogs
Publicidade
Aves salvas nos Açores ultrapassam os dois milhares
Quotidiano

Aves salvas nos Açores ultrapassam os dois milhares

Este é o número de cagarros salvos até ao momento.

Dois mil trezentos e setenta e três é o número de cagarros salvos pelos açorianos até ao presente momento da Campanha "SOS Cagarro 2010", acção coordenada pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar. Esta actividade teve início nos primeiros dias do mês de Outubro, com as acções de sensibilização e preparação das Brigadas de Salvamento nocturno, e irá prolongar-se até dia 15 de Novembro.

Dois terços da população mundial de cagarros, espécie emblemática no Arquipélago dos Açores, utiliza as ilhas açorianas para efectuar a sua nidificação. No momento da saída dos ninhos, as crias, porque são particularmente sensíveis às luzes de iluminação pública, confundem-se e acabam por cair nas estradas antes de conseguirem chegar ao mar e iniciar uma viagem que demorará, no mínimo, três anos.

Para as ajudar a ultrapassar esta primeira barreira sem serem atropeladas, desde meados dos anos 90 que, no Outono, são organizadas brigadas nocturnas de salvamento em todas as ilhas do arquipélago. Até aos últimos dias, estas Brigadas foram responsáveis por 2373 salvamentos dispersos por todas as ilhas, mas com particular ênfase nas ilhas de S. Miguel, S. Jorge, Pico e Faial. É também na ilha de S. Jorge que aparece um maior número de aves mortas nas estradas (12% do total). Pela positiva, destaca-se a ilha das Flores em que apenas 2% dos cagarros são encontrados mortos. Em termos proporcionais, na ilha do Corvo tem o máximo com um salvamento de cagarro por cada três habitantes da ilha.

Apesar dos resultados na Ilha de S. Jorge, o director regional para os Assuntos do Mar, Frederico Cardigos, destaca "uma redução de 3% desde o início da campanha o que, possivelmente, indica uma mudança de atitude dos automobilistas que, com uma condução mais atenta, foram sensíveis aos diferentes apelos." No entanto, segundo este governante, "o essencial é realçar a solidariedade de pessoas e instituições. Os números escandalosos que tínhamos de cagarros mortos ou reiteradamente salvos em locais fortemente iluminados já não se verificam. Isto apenas aconteceu como consequência do envolvimento na campanha de estruturas portuárias, aéreo portuárias, produção de energia eléctrica, municípios e outros que efectuaram um real esforço para, neste período, iluminar muito menos".

"Em simultâneo", acrescenta o director regional, "a participação de cidadãos anónimos, organizações ambientais, escolas, escuteiros, bombeiros, forças policiais, órgãos de comunicação social e funcionários da administração regional resulta num salvamento da grande maioria das aves que caem nas estradas. Tem sido um trabalho exemplar. Podemos melhorar, é certo, mas estamos a fazer uma boa diferença. É importante saber, tão precisamente quanto possível, qual é o número, local e pessoas envolvidas nos salvamentos e quantas aves são salvas”.

"Apenas com esses dados podemos verificar o impacto da mortalidade urbana na população de cagarros e, deste modo, aferir se, com o contributo da Campanha, a população destas aves marinhas estará salvaguardada. Esta Campanha é mesmo determinante para a sobrevivência da sub-espécie Calonectris diomedea borealis", afirmou o cientista Joel Bried, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, numa palestra sobre este tema. Embora os resultados finais sejam apresentados apenas após a conclusão da Campanha a 15 de Novembro, estão a participar nas acções de 2010 centenas de pessoas e dezenas de entidades nas nove ilhas do Arquipélago dos Açores.

A Direcção Regional dos Assuntos do Mar relembra que é absolutamente essencial manter a integridade física dos participantes na Campanha. Por essa razão, todo o cuidado é necessário quando se recolher um cagarro nas estradas das nossas ilhas, sendo altamente recomendada a utilização de coletes reflectores e ter atenção especial aos outros veículos em circulação. Também não se deve subestimar a força do bico dos jovens cagarros pelo que é fortemente aconselhável a utilização de um casaco velho ou de uma toalha quando se recolher as aves.

"O sucesso da Campanha de 2010 deve-se ao empenho abnegado de todos os envolvidos," salientou o director regional, concluindo que "de facto, e como diz o slogan, "o cagarro agradece!".

Para mais informações sobre o cagarro, sobre a campanha e sobre como participar escreva para cagarro@azores.gov.pt, consulte o site http://soscagarro.azores.gov.pt ou contacte o seu Serviço de Ambiente de ilha.

JornalDiario

2010-11-05 10:35:00

Imprimir notícia